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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right)

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Um drama familiar moderno, realista e muito bem conduzido é o que podemos esperar de Minhas Mães e Meu Pai. Um elenco cuidadosamente bem selecionado dá o tom e o timing certo às cenas de uma trama finalmente corajosa e desprovida de preconceitos e estereótipos.

De cara não tem como não ficarmos apegados as personagens vividas por Annette Bening e Julianne Moore: um casal de lésbicas que aparentam estar com a vida estabilizada criando dois filhos, Laser, um garoto de 15 anos (Josh Hutcherson de Viagem Ao Centro da Terra) e Joni a mais velha com 18 anos (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton). Aqui cabe logo uma observação: costumo perceber que os bons dramas apresentam bons e complexos personagens e os desenvolve de maneira que compreendemos os seus momentos em cena, suas emoções entram em sintonia e todos que estão assistindo a película compartilham das mesmas. É o que vemos desde o começo com essa moderna família. É importantíssimo salientar também a maneira como estes relacionamentos, sejam das mães com os filhos, sejam elas entre si, de como é cuidadosamente tratada de forma a jogarmos para escanteio o fator lesbianismo. Percebemos com o filme que qualquer casal, gay ou hétero, pode passar por dilemas exatamente iguais e finalmente os filmes começam a criar coragem para tratar de maneira desprovida de estereótipos.

Voltando a trama, o filme da diretora e roteirista Lisa Cholodenko (da série lésbica The L Word) se desenrola a partir da ideia que os filhos têm de conhecerem seu pai, vivido por Mark Ruffalo fazendo às vezes de conquistador. Paul é um cara solteiro e com uma vida tranquila, a muitos anos atrás doou sêmen e não sabia que o mesmo foi utilizado duas vezes e pelas duas mães da estória: Nic (Bening) e Jules (Moore). Sem o consentimento e conhecimento de suas mães os filhos marcam um encontro com Paul e começam a tirar conclusões sobre este “pai” desconhecido. Ao descobrirem, as mães resolvem convidar Paul para passar alguns momentos com todos em família, mas a partir do momento que ele começa a entrar na vida dessas pessoas alguns conflitos começam a surgir.

Não estragando nada da trama podemos parar por aqui e apenas indicar esta ótima película que trata de maneira madura, desprovida de preconceitos e com bastante realismo o desenvolvimento das relações familiares até hoje. Pode-se dizer que o título inglês original diz muita coisa: “The Kids Are All Right” (As Crianças Estão Todas Bem). De forma implícita a estória nos ensina que filhos criados por gays, lésbicas ou héteros não estão de maneira nem uma isentos de sofrerem com conflitos internos, muito pelo contrário, passam por exatamente os mesmos.

Lista de Prêmios e Indicações

Indicado ao Oscar de Melhor Filme
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Annette Bening)
Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo)
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original

Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme - Comédia ou Musical
Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Annette Bening)
Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Julianne Moore)
Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Roteiro

Indicado pelo Screen Actors Guild por Melhor Elenco
Indicado pelo Screen Actors Guild por Melhor Atriz (Annette Bening)

Indicado pelo Producers Guild of America por Melhor Filme

Indicado pelo Writers Guild of America por Melhor Roteiro Original

Vencedor pelo New York Film Critics Circle por Melhor Atriz (Annette Bening)
Vencedor pelo New York Film Critics Circle por Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo)

Indicado ao Bafta por Melhor Atriz (Annette Bening)
Indicado ao Bafta por Melhor Atriz (Julianne Moore)
Indicado ao Bafta por Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo)
Indicado ao Bafta por Melhor Roteiro Original

Fontes: IMDB.com e G1 Oscar2011

sábado, 28 de agosto de 2010

THE KARATE KID

Karate_Kid_2010Hoje assisti um dos filmes mais divertidos e agradáveis do ano. Até agora nem um outro filme havia me cativado em apresentar uma montanha-russa de emoções do começo ao fim. Nele você tem aventura, ação, drama, artes marciais, filosofia de vida e romance, em resumo: vida. Este é um filme com vida.

Karate Kid marca a melhor, se não única interpretação dramática de Jackie Chan que deu vida a Mr. Han amargurado zelador de um prédio em Pequim. Sendo este apenas um dos aspectos que nos causam gratas surpresas, Mr. Han é um personagem espetacular no filme.

Seguimos então para o protagonista Dre Parker vivido pela revelação Jaden Smith que com todos os méritos consegue carregar o seu sobrenome de maneira excelente. Por vezes crianças atuando erram o tom de suas apresentações, hora sendo exageradas horas opacas e o que se vê em Jaden são multifaces que funcionam muito em cena. Percebe-se que o garoto herdou a “manha” de se dirigir as meninas que seu pai Will Smith também apresenta em seus filmes. As cenas de drama também surpreendem pelas qualidades do garoto. O drama de morar em outro país, com outra cultura e recentemente tendo perdido o pai são ingredientes de sobra para embarcamos na jornada de Dre e sua mãe Sherry (Taraji P. Henson).

A direção de Harald Zwart merece créditos positivos, principalmente por explorar a cidade de Pequim de forma categórica. As cenas mais afastadas em montanhas também são obras de arte. Falar dos quesitos técnicos do filme é falar de algo muito bem pensado e planejado. As cenas de luta e de perseguição também são complicadas e apresentadas de forma convincente.

Karate Kid toca em vários temas atuais e delicados como bulling, recomeço de vida, problemas de comunicação entre pais e filhos, disciplina e determinação para que a superação exista.

O legal de Karate Kid é mostrar a todos que podemos passar por adversidade na vida com garra, vontade e pessoas de bom coração ao nosso redor. Pode até parecer piegas e cliché, porém a maneira cuidadosa que cada personagem foi desenvolvido ao longo do filme consegue nos cativar e é aí que a mágica do cinema acontece:

Quando nos importamos, sentimos e seguimos toda a jornada de cada personagem ao longo do filme de forma intensa é quando um filme cumpriu seu objetivo. É claro que alguns defeitos podem até serem apontados, como o fato do garoto aprender Kung-Fu e Tay-condo ao invés de Karatê, más são os ensinamentos que tomam conta da estória.

Estórias positivas e de superação passaram um tempo em hiato no cinema hollywoodiano e este remake consegue não só trazer de volta este otimismo, mas apresentar um remake quem sabe até melhor do que os originais anteriores.

Trailer

créditos: SonyPictures.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas – Tim Burton

Alice-In-Wonderland-Theatrical-Poster Quando assistimos um filme feito por um grande cineasta, geralmente temos a idéia de que ele deu um toque especial para a estória. Neste caso presenciamos o contrário. Nunca um conto clássico esteve em tão boas mãos quanto Alice no País das Maravilhas. Se tem um cineasta que se encaixa exatamente no “estilo” deste “Conto Sem Fadas”, esse alguém é Tim Burton.
Esta versão de Alice no País das Maravilhas não nos da a clareza necessária de afirmarmos ser a melhor, muito menos a pior de todas já antes produzidas. O mesmo vale para a filmografia interessante e criativa de Tim Burton. Este está longe de ser o seu melhor, muito menos pior filme. A parceria de Burton e Johnny Depp já é conhecida por todos os 6 longas anteriores. Depp fazendo o “Chapeleiro Maluco” trás o habitual carisma e a corriqueira excentricidade que vem colecionando papeis após papeis.

domingo, 25 de abril de 2010

O Desinformante

o-desinformante-poster O filme O Desinformante, baseado no livro de Kurt Eichenwald, retrata uma estória real de um mentiroso vice presidente de uma companhia norte-americana enganando a todos que se relaciona. Does seus próprios pais ao FBI. Mark Whitacre (Damon) aborda o FBI para revelar o envolvimento de executivos da empresa em que trabalha, incluindo ele próprio, com encontros com empresas rivais sobre os ajustes dos preços de um determinado aminoácido (Lysine) utilizado na produção dos produtos de sua empresa Archer Daniels Midland. Whitacre então concorda em participar na investigação federal com a intenção de supostamente cooperar buscando informações valiosas.
Merecemos chamar a atenção para a atuação memorável de Matt Damon, que constrói uma personalidade singular em cada personagem que aborda. Damon com este papel chegou a ser indicado ao Globo de Ouro deste ano (2010) e demonstra uma carreira já bem versátil e ainda bastante promissora.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Crítica: Bananas

bananas Retornando a filmografia do gênio Woody Allen chegamos aos anos 70 com a comédia intitulada “Bananas”. É apenas o 4º filme do nova-iorquino como roteirista, terceiro como diretor e primeiro como o Woody Allen que conhecemos. A película marca o nascer de uma série de assinaturas cinematográficas do cineasta: a primeira loira, o primeiro neurótico, as primeiras citações judaicas, a primeira sessão de psicanálise e é aqui que  finalmente presenciamos o nascimento de Woody Allen.
A escolha do título “Bananas” permanece multi-interpretável. Além da fruta a palavra tem o significado informal do adjetivo “louco”. É possível que o uso da mesma tenha sido uma proposital reverência a uma das primeiras obras dos Irmãos Marx os quais Allen mencionou ter sofrido muita influência no período de criação da película. Sempre sarcástico Woody Allen ao ser questionado sobre a razão do título ser este respondeu “…porque não tem bananas no filme”. Sabe-se que o livro Don Quixote, USA. serviu de pesquisa para ele e que o personagem principal era um agrônomo especializado em bananas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Crítica: A Cor do Paraíso

cordoparaiso500 Este filme iraniano vem nos mostrar a importância dos sentidos. A cegueira nunca foi representada no cinema com tamanha sutileza. O respeito com que o diretor iraniano Majid Majidi tem com o cinema é digno de aplausos. Ele consegue estimular através da composição cinematográfica deste filme nosso tato, visão, audição através da comovente estória de Mohammad.

Saindo de uma centro de cuidados especiais para deficientes visuais Mohammad é levado pelo seu viúvo pai, Hashen. Ele leva o garoto para morar com suas irmãs e a adorável avó nos campos iranianos. O garoto nos mostra uma habilidade extraordinária em desenvolver seus sentidos. Por pouco tempo sua avó o leva a escola local, ele é um sucesso. Neste momento percebemos que não existe apenas um cego na estória. Hashen não enxerga o filho que tem e o quão especial ele é. Com medo do filho ser frustrado no futuro ele se equivoca tirando-o dali, levando-o para uma carpintaria de um cego.

Os grandes gênios do cinema, ao fazerem seus filmes, toma um cuidado especial em cada aspecto cinematográfico. Com Majid Majidi não é diferente. Ele apresenta seus personagens de forma realista, humana e com muita sensibilidade. A utilização das cores, cenários e ângulos são uma aula cinematográfica. Simplesmente impecável.

Convido você a notar a utilização da musica nesta película, o melhor, a ausência dela. Escutamos musicas de fundo em não mais do que cinco vezes ao longo de todo o filme. Fica claro a escolha do diretor em nos presentear com a sensação de escutarmos mais os sons e efeitos da natureza que cerca Mohammad, desta maneira é impressionante como conectamos os nossos sentidos aos do garoto.

“A Cor do Paraíso” é mais um daqueles filmes que podemos dizer e afirmar que o cinema é uma arte magnífica.

Ficha Técnica

Título Original: (Rang-e Khoda – Tradução literal: A Cor de Deus)

Lançamento: 8 de Fevereiro, 1999.

Produção: Mehdi Karimi, Ali Ghaem Maghami, Mehdi Mahabadi, Mohsen Sarab.

Direção: Majid Majidi.

Roteiro: Majid Majidi.

Atores: Hossein Mahjoub, Mohsen Ramezani, Salime Feizi.

País: Irã.

Língua: Persa.

Duração: 90 min.

Gênero: Drama.

Uma Cena Emocionante

Crítica: Filhos do Paraíso

childrenofheavenposterc Muitas vezes o cinema é complicado e perde a beleza da simplicidade. Muitas vezes o cinema é simplório em demasia e perde em explorar algo mais. Bem no meio desses extremos encontram-se raras películas onde aquilo que pode parecer simples nos conquista revelando sua grandeza. “Filhos do Paraíso” é um filme maravilhoso por retratar a vida complicada de duas crianças e apenas um par de sapatos.

No filme o pequeno Ali perde os sapatos de sua irmã Zahra e ambos tem medo de contar a mãe doente e ao pai, um duro trabalhador. A pobreza é retratada de maneira realista e sem estereótipos, fator pontual para a película apresentar uma estória simples e que consegue nos tocar. Ao revezarem o mesmo par de sapatos os irmãos lutam contra o tempo, pois estudam em turnos distintos e o garoto a tarde sempre chega atrasado no colégio, complicando seu aprendizado. As complicações que eles enfrentam contribuem para dar uma emoção a mais na trama.

O companheirismo apresentado por esses belos irmãos deveria servir de exemplo para muitas famílias que brigam por besteira. Pode soar piegas, mas as crianças de “Filhos do Paraíso” nos ensinam muitas coisas.

O renomado diretor iraniano Majid Majidi conduz a trama de forma muito bem dosada. As escolhas de ângulos são cuidadosos e criam cenas belíssimas como a corrida do jovem Ali em busca do terceiro lugar e os peixes sarando seus pés calejados. É pura poesia em cena. “Filhos do Paraíso" é o melhor do cinema iraniano. Vale lembrar que a película foi indicada ao OSCAR de 1999 na categoria melhor filme estrangeiro e concorreu com “Central do Brasil” e o vencedor “A Vida É Bela”.

Ficha Técnica

Título Original: (Bacheha-Ye aseman)

Lançamento: Agosto, 1997.

Produção: Amir Esfandiari, Mohammad Esfandiari.

Direção: Majid Majidi.

Roteiro: Majid Majidi.

Atores: Amir Farrokh Hashemian,Bahare Seddiqi.

País: Irã.

Língua: Persa.

Duração: 89 min.

Gênero: Drama, Aventura.

Cena

Crítica: Encantadora de Baleias

encantadora_poster_escuro Este filme retrata uma cultura como deveria ser sempre feito no cinema: com respeito. Apresenta a nós uma estória tocante, emocionante e qualquer acréscimo de adjetivos a mais pode parecer exagero. Em “Encantadora de Baleiras” somos convidados a visitarmos um lugar onde a cultura e suas essências são mantidas e cultivadas e ao acompanharmos a estória somos instigados a questionar o que fazemos com a nossa.

A película é sobre a jovem Paika, uma garota que nasceu em uma comunidade indígena na Nova Zelândia e logo sofre para ser aceita. A questão é que seu avô, tido como um mestre importante para a pequena cidade, esperava que nascesse um garoto e assim seguir a tradição masculina de líderes. As tradições da “aldeia” são regidas pela mitologia de que o chefe é aquele que tem a habilidade de se comunicar com as baleias. Paika é teimosa e não aceita ser renegada pelo avô e sempre é frustrada cada vez que tenta aprender os costumes.

O cuidado da diretora Niki Caro em apresentar uma cultura especial é tão bom que somos levados a acreditar e entender as razões que regem a vida de cada personagem. Muito bem ambientada, as locações são reais, os figurantes são nativos e os efeitos visuais em torno das cenas com as baleias são memoravelmente naturais. Com todos os ingredientes técnicos no lugar ainda temos a oportunidade de ouvir ao longo de todo o filme trilhas compostas pela renomada Lisa Gerrard (“O Talentoso Ripley” e Rei Arthur).

A protagonista Keisha Castle-Hughes foi um achado da diretora de casting Diana Rowan. A garota estava em seu primeiro trabalho e já apresentava um futuro extraordinário mostrando uma ótima maturidade em cena. O papel lhe rendeu uma indicação a melhor atriz no Oscar de 2004.

Com vários elementos técnicos essências no lugar “Encantadora de Baleias” se transforma em uma poesia simples e nos convida a revisitarmos as origens de nossas culturas, cultivá-las e questionar como as estamos passando para nossas crianças hoje.

Ficha Técnica

Título Original: (Whale Rider)

Lançamento: 30 de Janeiro, 2003.

Produção: John Barnett, Frank Hübner, Tim Sanders.

Direção: Niki Caro.

Roteiro: Niki Caro, Witi Ihimaera (Livro).

Atores: Keisha Castle-Hughes, Rawiri Paratene, Vicky Haughton, Cliff Curtis.

País: Nova Zelândia.

Língua: Inglês, Māori.

Duração: 101 min.

Gênero: Drama.

Trailer

segunda-feira, 29 de março de 2010

Crítica: O Enigma de Kaspar Hauser

Jeder fur sich und Gott gegen Alle (1974) Para quem está acostumado com o cinema visto pela ótica hollywoodiana cria alguns preconceitos bobos referentes a 7ª arte. São filmes como estes que nós temos um exemplo claro do porque do cinema ter sido nomeado uma arte. Um dos maiores cineastas alemães, Werner Herzog, nos presenteia com uma obra feita em 1974 e que se mostra ainda muito atual. É poesia visual e instigativa.

O filme é baseado na estória real de Kaspar Hauser, sujeito criado acorrentado como bicho até os seus 17 anos, sendo alimentado somente  de pão e água ele é solto no meio da pequena cidade de Nuremberg em 1828. Dalí em diante somos levados a muitas reflexões e relações com a sociedade em que somos criados, pois Kaspar Hauser é ensinado do zero todos os valores que nós julgamos “certos” ou “normais” os quais o ser humano deveria ter.

O diretor Werner Herzog apresenta a todos um verdadeiro achado: o ator principal Bruno Schleinstein. Encontrado em um documentário intitulado “Bruno der Schwarze - Es blies ein Jäger wohl in sein Horn“ (1970) e devido ao seu problema mental real pode, apesar de dar muito trabalho nos sets, entregar um realismo ao papel que é fundamental para as pretensões narrativas.

Quando o personagem é confrontado pelos dogmas e ideais pragmáticas da sociedade que é criado ele contesta de forma surpreendente e supostamente ingênua. Sabemos que por traz de um personagem existe um criador, mesmo sendo baseado em fatos verídicos, fica inevitável não existir uma boa dose particular das intenções dele em transmitir suas idéias por meio de suas crias. O nível de esperteza e perspicácia que Kasper Hauser desenvolve vem do grupo de pensamentos mais básicos da humanidade e que muitas vezes se perdem no meio de tudo aquilo que se julga lógico.

A jornada de um ser humano cru em direção ao corrompimento sócio-psíquico causado pela sociedade que lhe educa é o elemento narrativo que mais nos chama a atenção ao longo de todo o filme. “O Enigma de Kaspar Hauser” nos causa um estalo de consciência para entendermos que questionar é peça importante em nossa vida para que assim possamos correlacionar um filme feito em 1974 - sobre uma estória de 1828 - com o ano em que estamos: 2010. Alguém ainda tem dúvida de que certas obras cinematográficas podem ser vistas eternamente que ainda terão um valor de correlação fantástico?

Ficha Técnica

Título Original: (Jeder für sich und Gott gegen alle – Tradução: Cada um por si e Deus contra todos).

Lançamento: 1 de Novembro, 1974.

Produção: Werner Herzog.

Direção: Werner Herzog.

Roteiro: Werner Herzog.

Atores: Bruno S., Walter Ladengast.

País: Alemanha Ocidental.

Língua: Alemão.

Duração: 110 min.

Gênero: Drama.

Cena

domingo, 28 de março de 2010

Crítica: Código de Conduta

29c2aa-postagem-codigo-de-conduta Filmes inteligentes são raros ultimamente. Código de Conduta é desses que lhe instiga o raciocínio constante, não te dá sono e nem agonia em excesso. Ele mexe com um lado da mente onde se calcula mais, pensa mais. O roteiro é muito bem bolado, de forma a escancarar e criticar o sistema legal dos Estados Unidos. É inevitável associar filmes desse gênero com alguns casos famosos na vida real. Já que acabamos de deixar Isabela Nardoni descansar em paz é interessante sempre ver como vários casos legais podem ter pano para manga, ou seja, virarem um filme.

Esta é a estória de Clyde Shelton (Gerard Butler – na sua melhor atuação no cinema até agora) um homem inteligente e calculista que após presenciar a morte de sua mulher e filha decide fazer justiça com as próprias mãos. Imagina-se de cara que é apenas mais um filme com o tema vingança.Isso é o que no princípio o roteiro nos leva a pensar. Logo no desenrolar dos fatos é que percebemos que estamos diante de um Advogado (Jamie Foxx), responsável por libertar os criminosos, tentando alcançar o nível de calculismo que Clyde apresenta de dentro da prisão. Começa então um jogo mental de gato e rato difícil de manter a originalidade no cinema, porém neste caso conseguiu nos apresentar uma trama muito bem escrita.

A direção é de F.Gary Gray, jovem diretor que saiu de do mundo dos vídeo clips para apareceu dirigindo um elenco de primeira em “Uma Saída de Mestre”. O diretor não inova nas questões técnicas, apresentando uma fotografia e tomadas urbanas que se não chamam a atenção positivamente também não atrapalham a trama. Trama esta escrita pelo mais experiente Kurt Wimmer que dentre outros trabalhos escreveu “Thomas Crown – A Arte do Crime” e “Os Reis da Rua”. Ele da consistência séria e é o responsável principal do filme atingir um nível plausível de realismo.

O filme Código de Conduta é controverso; ele questiona os nossos valores morais e legais. Ele tenta nos inebriar com a sede de justiça apresentada pelo personagem de Gerard Butler durante toda a película. Talvez o filme peque por nos levar a um nível de esperança de 100 à 0 ao longo de todo o filme apenas para chegarmos a um realismo inevitável contido no final. Mesmo não apresentando nada de novo nos quesitos técnicos, é na rara originalidade do enredo que o filme se estabelece. Ainda que de forma parcial em seus questionamentos trás um raciocínio para a vida que construímos no mundo real.

Ficha Técnica

Título Original: (Law Abiding Citizen)

Lançamento: 16 de Outubro, 2009.

Produção: Gerard Butler, Kurt Wimmer, Mark Gill, Lucas Foster, Alan Siegel.

Direção: F. Gary Gray.

Roteiro: Kurt Wimmer.

Atores: Gerard Butler, Jamie Foxx, Leslie Bibb, Colm Meaney, Viola Davis, Bruce McGill.

País: Estados Unidos.

Língua: Inglês.

Duração: 108 min.

Gênero: Crime, Drama, Policial, Suspense.

Trailer

sábado, 27 de março de 2010

Crítica: Que Fiz para Merecer Isto?

Qu-he-hecho-yo-para-merecer-esto Falar do cinema de Pedro Almodóvar é sempre muito prazeroso. A carreira do cineasta espanhol coleciona exatos 31 filmes, todos especiais. “Que Fiz para Merecer Isto?” pode-se dizer que é simplório e cru como o cinema de Almodóvar consiste. Provocador como sempre o diretor procura transmitir em suas películas uma riqueza de detalhes construída ao redor de seus personagens.

Talvez Almodóvar seja o cineasta que, ao longo dos anos, mais trabalhou seus filmes em prol do realismo e desenvolvimento da personalidade de seus personagens. Neste filme ele não inventa. É direto e objetivo nos quesitos técnicos como a estória pedia que fosse. Saber mexer com as emoções como uma montanha russa não é tarefa fácil no cinema. Almodóvar consegue sair de uma cena dramática a um cinismo em forma de diálogos cômicos de maneira delicada e sutil.

Em “Que Fiz para Merecer Isto?” vemos Glória, uma dona de casa humilde lutando para agüentar os afazeres domésticos. Vemos como uma família pode desmoronar-se em pouco tempo. Sempre que lemos as sinopses dos filmes de Almodóvar vemos o quanto a estória é simples, porém quando vimos os filmes é que nos surpreendemos com capacidade do diretor de dar vida aos personagens de suas tramas. Seja pelo assassinato, pelo lagarto chamado “Dinheiro”, ou pelos personagens em si, assista “Que Fiz para Merecer Isto?” e você terá uma amostra de autenticidade no cinema simples (no melhor sentido da palavras) de Pedro Almodóvar.

Ficha Técnica

Título Original: (¿Qué he hecho yo para merecer esto?)

Lançamento: 25 de Outubro, 1984.

Produção: Hervé Hachuel

Direção: Pedro Almodóvar.

Roteiro: Pedro Almodóvar.

Atores: Carmen Maura, Chus Lampreave, Ángel de Andrés López, Verónica Forqué, Kiti Manver, Francisca Caballero.

País: Espanha.

Língua: Espanhol, Alemão, Francês e Inglês.

Duração: 101 min.

Gênero: Comédia, Drama.

Cenas

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crítica: Um Assaltante Bem Trapalhão

take the money and run No terceiro filme do gênio vivo dos cinemas Woody Allen revemos desde o princípio uma carreira marcada por uma evolução cinematográfica atrás da outra.
Em “ Um Assaltante Bem Trapalhão” Allen trabalha pela primeira vez na trinca de funções que tanto marcaram sua carreira: Direção, Roteiro e Atuação. É o primeiro filme em que começamos a ver alguns indícios de esperteza e originalidade na maioria das cenas.
Virgil Starkwell (Woody Allen) é um verdadeiro criminoso incompetente que desde a infância coleciona tentativas desastrosas de roubos, assassinatos e fugas mal sucedidas de prisões. Apesar da comédia ser inconstante ao longo de todo o filme já dá para termos várias cenas bem imaginadas e com uma assinatura comedida ainda de Woody Allen.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Crítica: Os Brutos Também Amam

45 SHANE (1953) Em “Os Brutos Também Amam” o gênero Western nunca esteve tão poético. A idéia de que estes filmes eram machistas e até violentos se quebrou depois que o cowboy Shane apareceu em uma pequena cidade do interior americano. Shane buscava redenção. Ele procurava uma vida melhor para recomeçar e encontrou na família do colono humilde tudo aquilo que gostaria de ter um dia: uma bela esposa, uma terra aparentemente tranqüila e um filho doce e gentil. A fotografia que explora desde cenários externos reais se mistura de maneira discreta com os de estúdio nos transportando com realismo para o mundo do Western, não atoa o Oscar para melhor fotografia em 1953 ficou em boas mãos. Loyal Griggs tratou de apresentar uma película cuidadosa no quesito visual.

Dia 09

Hoje foi um dia mais relaxado. Com o conteúdo concluído seguimos com a prática, lendo as críticas de alguns dos nossos colegas(eu me incluo) que por sinal acrescentaram em vários sentidos.
A possibilidade de ouvirmos críticas distintas sobre o mesmo filme, em um mesmo local foi uma experiência bem interessante. Todos estando na mesma “página”, porém dando o seu toque especial e particular. O olhar crítico ficou claro e evidente, assim cada texto lido sobre o filme “Os Brutos Também Amam” serviu para aprendermos com o ponto de vista alheio.
Alguns textos procuraram contar mais a estória do filme, outros instigaram o leitor a procurá-lo. Alguns textos vieram quase que de forma poética, com construções e palavras muito bem postas, outros já tiveram um “tom” mais técnico, explorando bastante os aspectos cinematográficos. Alguns fizeram referências e relações com outros filmes de forma ousada e precisa.

Hoje também visitamos blogs e sites de alguns críticos também para compararmos e abrirmos mais a “cabeça” e assim atentarmos para o fato de que um bom crítico deve ler sempre vários outros críticos, assim começar a identificar elementos de argumentação, técnica textual e ideologia. Um mero exercício de passarmos sobre algumas críticas já nos serviu de estímulo.
Termino o penúltimo diário (já com saudades do curso) com uma reflexão simples, direta e importante:
100_3444“Nem sempre você lê a crítica para criticar, na verdade você nem deve fazer isso. Criticar a crítica é ser autoritário de mais. Hoje vamos ler aqui as críticas que vocês produsiram e fiquem tranquilos, pois não tem para que fazer uma crítica sobre as críticas.”
Marco Antônio Moreira.

Dia 08

Hoje foi o primeiro dia em que nós do curso apenas assistimos a um filme com o propósito posterior de debater a respeito dos aspectos técnicos e gerais da película. Além do debate ficou definido também a idéia de criarmos em casa uma crítica escrita do filme. No nono dia, antes da exibição da próxima película leremos em classe algumas críticas.
O filme escolhido foi “Os Brutos Também Amam” de 1953.
Crítica:

terça-feira, 23 de março de 2010

Crítica: What’s Up, Tiger Lily?

What's_Up,_Tiger_Lily- Este não pode ser considerado o primeiro filme de Woody Allen, é a primeira coisa que pensamos ao assistir “What’s Up, Tiger Lily?”. O filme na realidade não é dele e sim uma produção japonesa barata que ele adquiriu os direitos, dublou junto com alguns colegas alterando toda a idéia, transformando o filme em uma versão cômica.
O que se percebe de cara é que uma coisa tem “cheiro” de Woody Allen: a genialidade de perceber que dublar um filme estrangeiro pode se transformar em uma comédia pastelão. A verdade é que pode-se dizer que este é o filme mais cara-de-pau que Woody Allen pudesse fazer em toda a sua extensa carreira.

Crítica: Paisagem na Neblina

Landscape_in_the_mist Este é um daqueles filmes que assistimos como se estivéssemos em frente a uma obra de arte. O uso dos elementos cinematográficos de forma cuidadosa tem a proposta de nos emocionar com a estória.
Um casal de irmãos ainda pequenos fogem de casa em busca de seu desconhecido pai. A mãe deles sempre disse que ele estava na Alemanha. Eles pegam trens de forma ilegal e passam por momentos que os transformarão de maneira definitiva para a vida. É um filme sobre a perda da inocência, mas que é retratado de maneira poética e respeitosa com os elementos do cinema. O diretor do filme é Theo Angelopoulos, sem dúvida o maior diretor grego de todos os tempos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Crítica: O que é que há, Gatinha?

whats_new_pussycat_ver2 Nos últimos dias tenho tido a oportunidade de ter em mãos a filmografia de Woody Allen e olha que são muitos filmes! Com uma gama de películas tão variadas e com tanta quantidade em mãos resolvi assistir a todas desde o princípio, nos anos 60.
Começando então este especial Woody Allen temos o filme “O que que há, Gatinha?”. Esta produção de 1965 foi o primeiro trabalho de Woody Allen como roteirista e ator. A comédia é peculiar, pois mistura uma atuação exagerada e meio pastelão com um roteiro contendo ótimos diálogos. O que se percebe é que com 31 anos Woody Allen já mostrava um certo cinismo em suas estórias. Como ator ele ainda deixa a desejar, porém sendo apenas o começo de uma carreira polivalente.

sábado, 20 de março de 2010

Crítica: O Iluminado

The ShiningPOSTER Esta obra prima de Stephen King, adaptado de maneira exuberante por Stanley Kubrick retrata a essência do que é um bom filme de terror. A idéia de jogar com o medo do espectador funciona de maneira pontual com a horripilante trilha sonora que da ao filme um sentido original.
Alguns cineastas são tão bons que conseguem transmitir em seus filmes uma sensação de estarmos nas cenas e é isso que Kubrick consegue de forma brilhante. Os seus ângulos peculiares, agoniantes e claustrofóbicos dão ao filme sua assinatura marcante. São tomadas internas/abertas que dão um senso total de estarmos “espiando” as ações.