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sábado, 9 de outubro de 2010

Gente Grande (Grown Ups)

grown-ups-movie-poster-1020538943Após a morte do técnico de basquete, cinco amigos se reúnem muitos anos depois em prol de reviverem os momentos de amizade e seus anos de jogadores no colégio. Todos obviamente mudados, porém nos mostram que o tempo passa, constituímos famílias e as obrigações e afazeres tomam conta da nossa consciência, mas se fizermos algum esforço podemos voltar as nossas essências.

Tomo como exemplo aqui o livro “O Clube do Filme”, de David Gilmour, onde um pai resolve ensinar seu filho que já estava “se perdendo”, que através do cinema, assistindo filmes e mais filmes sugeridos por ele pode-se provar para todos que o cinema nos da ensinamentos para toda a vida. Lembro esse livro pois Gente Grande, dirigido por Dannis Dugan (O Paizão, Eu os Declaro Marido e... Larry dentre outros) nos convida a refletir enquanto damos muitas rizadas de o quanto o tempo e a vida corrida de hoje nos transforma em pessoas sem compaixão, sem paciência e tolerância. Por vezes discutimos e criamos problemas de coisas tão simples que apenas pelo fato de não escutarmos o outro ou não nos colocarmos nos seus sapatos desencadeamos estresse e intrigas mais sérias ao longo dos nossos dias.

Dar um tempo. É isso que Gente Grande, escrito por Adam Sandler e Fred Wolf se atreve a nos ensinar. Mostra que nossos pais e tios quando reunidos são mesmo bobos e não tem medo de expressar isso. Mostra que o ser humano em grupo desce alguns níveis de compostura e decência e justamente por isso sobem em termos de relaxamento, conforto e por estarem nesta zona (de conforto ou literal) se sentem a vontade de confrontar suas falhas, ignorá-las e superá-las. Todo o elenco de Gente Grande é de primeira no quesito comédia. Destaque para Kevin James que mais uma vez rouba a cena com seu “timing” impecável de comédia. Basta você aguardar os primeiros segundos em que o seu personagem é apresentado para entender o que estou me referindo.

Agora o mais importante é que por vezes este estilo de comédia em meu ver é erroneamente taxada de “pastelão” e neste caso não tem como ser. É claro que comédia passa por momentos de desgraça alheia, sempre foi assim e sempre será assim. O que se vê nesta película é que por trás de tudo existe uma premissa que em nem um momento é deixada de lado. O de que com um pouco esforço em grupo se consegue reviver momentos entre “velhos” amigos, convidando os mais novos para provarem do estilo de vida passada, porém sem pressão. O que se nota normalmente nos tempos de hoje é o adulto se dirigindo aos mais novos reclamando o tempo todo de que “no meu tempo isso…” e “no meu tempo aquilo…” e não tentam compreender que não se força ninguém a viver a 20 anos atrás, não se tira da noite para o dia os confortos que a humanidade a cada ano evolui justamente ao nos prover. É com paciência dedicação e muuuuuuita criatividade. Se juntar e promover situações divertidas em grupo aos poucos vai trazendo os mais novos para participarem das tão taxadas “atividades chatas” ou “velhas”.

Sentimos que os atores todos estavam se divertindo de verdade. O elenco é genuinamente composto por grandes amigos, a prova é a participação coadjuvante de Steve Buscemi (Wiley), um dos mais talentosos e melhores atores que hollywood possui, contribui em um papel pequeno mas que nota-se a entrega de sempre e as cenas com ele valem o ingresso do cinema.

Por fim percebe-se que é um ótimo divertimento, mas sem deixar de ter um convite interessante por trás. Um convite para nos unirmos mais, seja com nossos amigos, familiares ou nossas raízes. Buscarmos escutar mais do que reclamar, compreender mais do que repreender. Este é mais um filme que nos trás SIM, Ótimos ensinamentos.

Assista ao trailer de Gente Grande (Grown Ups)

domingo, 25 de abril de 2010

O Desinformante

o-desinformante-poster O filme O Desinformante, baseado no livro de Kurt Eichenwald, retrata uma estória real de um mentiroso vice presidente de uma companhia norte-americana enganando a todos que se relaciona. Does seus próprios pais ao FBI. Mark Whitacre (Damon) aborda o FBI para revelar o envolvimento de executivos da empresa em que trabalha, incluindo ele próprio, com encontros com empresas rivais sobre os ajustes dos preços de um determinado aminoácido (Lysine) utilizado na produção dos produtos de sua empresa Archer Daniels Midland. Whitacre então concorda em participar na investigação federal com a intenção de supostamente cooperar buscando informações valiosas.
Merecemos chamar a atenção para a atuação memorável de Matt Damon, que constrói uma personalidade singular em cada personagem que aborda. Damon com este papel chegou a ser indicado ao Globo de Ouro deste ano (2010) e demonstra uma carreira já bem versátil e ainda bastante promissora.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Crítica: Bananas

bananas Retornando a filmografia do gênio Woody Allen chegamos aos anos 70 com a comédia intitulada “Bananas”. É apenas o 4º filme do nova-iorquino como roteirista, terceiro como diretor e primeiro como o Woody Allen que conhecemos. A película marca o nascer de uma série de assinaturas cinematográficas do cineasta: a primeira loira, o primeiro neurótico, as primeiras citações judaicas, a primeira sessão de psicanálise e é aqui que  finalmente presenciamos o nascimento de Woody Allen.
A escolha do título “Bananas” permanece multi-interpretável. Além da fruta a palavra tem o significado informal do adjetivo “louco”. É possível que o uso da mesma tenha sido uma proposital reverência a uma das primeiras obras dos Irmãos Marx os quais Allen mencionou ter sofrido muita influência no período de criação da película. Sempre sarcástico Woody Allen ao ser questionado sobre a razão do título ser este respondeu “…porque não tem bananas no filme”. Sabe-se que o livro Don Quixote, USA. serviu de pesquisa para ele e que o personagem principal era um agrônomo especializado em bananas.

sábado, 27 de março de 2010

Crítica: Que Fiz para Merecer Isto?

Qu-he-hecho-yo-para-merecer-esto Falar do cinema de Pedro Almodóvar é sempre muito prazeroso. A carreira do cineasta espanhol coleciona exatos 31 filmes, todos especiais. “Que Fiz para Merecer Isto?” pode-se dizer que é simplório e cru como o cinema de Almodóvar consiste. Provocador como sempre o diretor procura transmitir em suas películas uma riqueza de detalhes construída ao redor de seus personagens.

Talvez Almodóvar seja o cineasta que, ao longo dos anos, mais trabalhou seus filmes em prol do realismo e desenvolvimento da personalidade de seus personagens. Neste filme ele não inventa. É direto e objetivo nos quesitos técnicos como a estória pedia que fosse. Saber mexer com as emoções como uma montanha russa não é tarefa fácil no cinema. Almodóvar consegue sair de uma cena dramática a um cinismo em forma de diálogos cômicos de maneira delicada e sutil.

Em “Que Fiz para Merecer Isto?” vemos Glória, uma dona de casa humilde lutando para agüentar os afazeres domésticos. Vemos como uma família pode desmoronar-se em pouco tempo. Sempre que lemos as sinopses dos filmes de Almodóvar vemos o quanto a estória é simples, porém quando vimos os filmes é que nos surpreendemos com capacidade do diretor de dar vida aos personagens de suas tramas. Seja pelo assassinato, pelo lagarto chamado “Dinheiro”, ou pelos personagens em si, assista “Que Fiz para Merecer Isto?” e você terá uma amostra de autenticidade no cinema simples (no melhor sentido da palavras) de Pedro Almodóvar.

Ficha Técnica

Título Original: (¿Qué he hecho yo para merecer esto?)

Lançamento: 25 de Outubro, 1984.

Produção: Hervé Hachuel

Direção: Pedro Almodóvar.

Roteiro: Pedro Almodóvar.

Atores: Carmen Maura, Chus Lampreave, Ángel de Andrés López, Verónica Forqué, Kiti Manver, Francisca Caballero.

País: Espanha.

Língua: Espanhol, Alemão, Francês e Inglês.

Duração: 101 min.

Gênero: Comédia, Drama.

Cenas

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crítica: Um Assaltante Bem Trapalhão

take the money and run No terceiro filme do gênio vivo dos cinemas Woody Allen revemos desde o princípio uma carreira marcada por uma evolução cinematográfica atrás da outra.
Em “ Um Assaltante Bem Trapalhão” Allen trabalha pela primeira vez na trinca de funções que tanto marcaram sua carreira: Direção, Roteiro e Atuação. É o primeiro filme em que começamos a ver alguns indícios de esperteza e originalidade na maioria das cenas.
Virgil Starkwell (Woody Allen) é um verdadeiro criminoso incompetente que desde a infância coleciona tentativas desastrosas de roubos, assassinatos e fugas mal sucedidas de prisões. Apesar da comédia ser inconstante ao longo de todo o filme já dá para termos várias cenas bem imaginadas e com uma assinatura comedida ainda de Woody Allen.

terça-feira, 23 de março de 2010

Crítica: What’s Up, Tiger Lily?

What's_Up,_Tiger_Lily- Este não pode ser considerado o primeiro filme de Woody Allen, é a primeira coisa que pensamos ao assistir “What’s Up, Tiger Lily?”. O filme na realidade não é dele e sim uma produção japonesa barata que ele adquiriu os direitos, dublou junto com alguns colegas alterando toda a idéia, transformando o filme em uma versão cômica.
O que se percebe de cara é que uma coisa tem “cheiro” de Woody Allen: a genialidade de perceber que dublar um filme estrangeiro pode se transformar em uma comédia pastelão. A verdade é que pode-se dizer que este é o filme mais cara-de-pau que Woody Allen pudesse fazer em toda a sua extensa carreira.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Crítica: O que é que há, Gatinha?

whats_new_pussycat_ver2 Nos últimos dias tenho tido a oportunidade de ter em mãos a filmografia de Woody Allen e olha que são muitos filmes! Com uma gama de películas tão variadas e com tanta quantidade em mãos resolvi assistir a todas desde o princípio, nos anos 60.
Começando então este especial Woody Allen temos o filme “O que que há, Gatinha?”. Esta produção de 1965 foi o primeiro trabalho de Woody Allen como roteirista e ator. A comédia é peculiar, pois mistura uma atuação exagerada e meio pastelão com um roteiro contendo ótimos diálogos. O que se percebe é que com 31 anos Woody Allen já mostrava um certo cinismo em suas estórias. Como ator ele ainda deixa a desejar, porém sendo apenas o começo de uma carreira polivalente.